Glaucoma

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira, sobretudo entre as pessoas mais idosas. A perda de visão causada pelo glaucoma pode ser evitada se a doença for diagnosticada precocemente.
O glaucoma é uma doença do nervo óptico.  É através do nervo óptico que as imagens que chegam à retina são levadas até o cérebro. O glaucoma pode danificar as fibras do nervo óptico, fazendo assim com que se desenvolvam pontos cegos no campo visual. 
Na forma mais frequente de glaucoma,  a ausência de sintomas  é comum. Muitas vezes as áreas cegas só são percebidas depois do nervo óptico ter sofrido danos. A destruição total do nervo óptico leva à cegueira. A pronta detecção e tratamento são as chaves da prevenção de lesões ao nervo óptico. Nas duas imagens a seguir, exemplo de dano causado pelo glaucoma: aumento da escavação do disco óptico e perda de campo visual.

Aumento da escavação do disco óptico Perda de campo visual

 O que provoca o Glaucoma?

O glaucoma é considerado hoje como uma doença do nervo óptico, uma neuropatia, sem que entretanto se conheça a causa específica da doença. Desde sua descoberta o glaucoma tem sido associado ao achado mais frequente da doença que é o aumento da pressão intra-ocular.  O olho produz continuamente um líquido transparente chamado humor aquoso. O humor aquoso é importante na nutrição e manutenção dos tecidos oculares. Uma vez formado, este líquido circula pelos tecidos intra-oculares e sai do olho através de canais de drenagem. Se a área de drenagem for obstruída, a pressão do fluido dentro do olho aumenta.

Quais são os diferentes tipos de Glaucoma?

a- Glaucoma crônico de ângulo aberto
Trata-se da forma mais comum de glaucoma. O ângulo de drenagem do olho torna-se menos eficiente com o passar do tempo, e a pressão dentro do olho aumenta de maneira gradual.
O glaucoma crônico de ângulo aberto se estabelece se o aumento de pressão resultar em lesão do nervo óptico. Mais de 90% dos pacientes adultos portadores de glaucoma sofrem deste tipo de glaucoma. O glaucoma crônico de ângulo aberto pode afetar a visão de forma tão gradual e indolor que só poderá ser notado pelo paciente quando o nervo óptico já estiver bastante lesado.


b- Glaucoma de ângulo fechado:
Em algumas situações, o ângulo de drenagem pode ficar completamente obstruído, bloqueando a saída do humor aquoso para fora do olho.

c- Glaucoma agudo de ângulo fechado: 
Ocorre quando a pressão do olho aumenta rapidamente sendo mais frequente em pessoas de pele negra e nos asiáticos. Os sintomas do glaucoma agudo incluem vi
são embaçada, dor ocular severa, dor de cabeça, percepção de halos ao redor de luzes, náuseas e vômitos.

Se não for rapidamente tratado, o glaucoma agudo de ângulo fechado pode resultar em cegueira. Um fechamento mais gradual e indolor do ângulo é chamado de glaucoma crônico de ângulo fechado.

Como se detecta o Glaucoma

Exames de vista freqüentes, realizados pelo oftalmologista, constituem a melhor maneira de se detectar o glaucoma. Além da medida da pressão intra-ocular (tonometria) e avaliação do nervo óptico (fundo de olho), realizados durante a consulta oftalmológica,  os exames abaixo podem ser necessários na investigacção do glaucoma. Para determinar se a lesão causada pelo glaucoma está aumentando, pode ser necessário repetir estes testes regularmente

  • Gonioscopia: exame do ângulo de drenagem do olho
  • Campimetria: avaliação do campo visual de cada olho
  • Análise das fibras nervosas: medida da espessura das fibras do nervo óptico através do Tomografia de Coerência Óptica (OCT).
  • Paquimetria: medida da espessura da córnea

 Tonometria de aplanação

Quais são os grupos de risco de desenvolvimento do Glaucoma? 

A pressão intra-ocular elevada, por si só, não significa que a pessoa seja portadora de glaucoma. Para avaliar o risco de desenvolvimento de glaucoma o oftalmologista necessita reunir muitas informações, incluindo fatores de risco como história familiar de glaucoma, antes de decidir por um acompanhamento devido a suspeita de glaucoma, ou pela necessidade de tratamento imediato.  A suspeita de glaucoma significa que o risco de desenvolver a doença é maior que o normal, havendo necessidade de realizar exames com freqüência. Se os primeiros sinais da doença forem detectados, o tratamento deverá ser iniciado.

Como é o tratamento do Glaucoma?

As lesões do nervo óptico provocadas pelo glaucoma e a perda visual decorrente destas lesões  são em geral irreversíveis. Uma vez diagnosticado o glaucoma, o tratamento tem por objetivo impedir a progressão destas lesões. Qualquer que seja o tipo de glaucoma, a realização de exames periódicos é imprescindível para prevenir a perda de visão, pois uma piora da doença pode ocorrer sem que o paciente perceba. Mudanças no tratamento muitas vezes são necessárias.

A- Medicamentos

O glaucoma costuma ser controlado através do uso tópico de medicação na forma de colírio; em alguns casos a utilização de mais de um colírio ou a associação com medicamento por via oral pode ser necessária. Estes medicamentos diminuem a pressão ocular, seja retardando a produção de fluido aquoso dentro do olho, seja melhorando o fluxo de saída através do ângulo de drenagem.


Para que estes medicamentos atuem adequadamente, é necessário o uso regular e contínuo. Os medicamentos utilizados para tratamento do glaucoma podem ter efeitos colaterais locais como olho vermelho a sintomas sistemicos como alteração do batimento cardíaco. Dependendo da severidade,  o oftalmologista avaliará a troca do medicamento por outro que tenha o mesmo efeito sobre o controle da pressão intra-ocular. É importante também que o paciente informe aos médicos que freqüenta, como o cardiologista por exemplo, quais medicamentos está usando para tratamento do glaucoma. 


B- Laser e Glaucoma

O tratamento com laser pode ser eficaz para diferentes tipos de glaucoma. Costuma-se empregar o laser de duas maneiras:

Trabeculoplastia:
No glaucoma de ângulo aberto, a própria área de drenagem é tratada. O laser aumentaria a drenagem, auxiliando assim no controle da pressão ocular.

Iridotomia:
No glaucoma de ângulo fechado, o laser cria uma abertura na íris, facilitando o fluxo de fluido aquoso para a área de drenagem.


C- Cirurgia


A cirurgia não cura o glaucoma. A cirurgia pode ser necessária quando não se consegue um controle adequado com os medicamentos. Em uma das técnicas cirúrgicas, o oftalmologista utiliza instrumentos miniaturizados para criar um novo canal de drenagem. Em casos mais graves uma válvula poderá ser implantada para facilitar a saída do fluido aquoso, diminuindo a pressão dentro d oolho. Embora as complicações da moderna cirurgia do glaucoma raramente sejam graves, elas podem ocorrer, assim como em qualquer outra cirurgia.

Qual é o papel do paciente no tratamento do Glaucoma?

O tratamento do glaucoma exige que o paciente faça uso correto da medicação receitada.  Não se deve interromper os remédios ou trocar de remédios sem antes consultar o oftalmologista. Exames e testes de visão freqüentes são fundamentais para verificar qualquer alteração que ocorra nos olhos. Exames regulares de vista podem ajudar a prevenir a perda de visão. O oftalmologista definirá a freqüência com que devem ser realizados.